Às 19h47 de uma noite de julho, trezentas pessoas prendem a respiração no terraço do Castelo de Agios Nikolaos, em Oía. O sol desce lentamente em direção ao horizonte do Mar Egeu, transformando as paredes brancas das casas cicládicas em uma paleta de laranja queimado, rosa antigo e ouro. Então vem o aplauso — espontâneo, universal. Este é o ritual diário que torna Oía um dos lugares mais fotografados do mundo, uma vila incrustada na borda norte de Santorini, a cerca de 11 quilômetros da capital Fira.
Santorini é o resultado de uma das erupções vulcânicas mais violentas da história humana, ocorrida por volta de 1600 a.C. e atribuída à civilização minoica. A caldeira que se abre diante dos olhos do visitante — com cerca de 12 quilômetros de largura e até 400 metros de profundidade — é o cratera afundada daquele antigo vulcão. De Oía, agarrada à falésia a cerca de 220 metros acima do nível do mar, domina-se toda a cavidade com uma perspectiva que não tem equivalentes no Mediterrâneo.
O vilarejo de Oía: arquitetura escavada na rocha
Oía não é simplesmente um conjunto de casas brancas. O vilarejo é construído literalmente dentro da parede da caldeira: muitas habitações são iposkafa, moradias escavadas na rocha vulcânica por pescadores e marinheiros ao longo dos séculos para aproveitar o isolamento térmico natural da pedra pomes. Caminhando pela rua principal, a Nikolaos Nomikou, notam-se portas baixas esculpidas diretamente na encosta, com tetos abobadados que mantêm a frescura mesmo nos dias mais quentes de agosto.
As célebres cúpulas azuis das igrejas ortodoxas — visíveis em todos os cartões postais — não são uma característica de toda a Grécia, mas uma especificidade das Cíclades. Em Oía, contam-se várias, a mais fotografada das quais pertence à igreja de Anastasis, posicionada de tal forma que emoldura perfeitamente, atrás dela, o perfil das ilhas de Nea Kameni e Palea Kameni, as formações vulcânicas ainda ativas no centro da caldeira.
O pôr do sol: fenômeno natural e espetáculo coletivo
O pôr do sol de Oía deve sua fama não apenas à beleza da paisagem, mas à sua geometria. A aldeia está localizada na extremidade noroeste da ilha, orientada de modo que o sol se ponha diretamente sobre o mar aberto, sem obstáculos no horizonte. A luz suave do último quarto de hora atinge as superfícies brancas das habitações e as transforma em espelhos quentes, enquanto o mar na caldeira reflete as cores do céu com um efeito de profundidade quase tridimensional.
A hora exata do pôr do sol varia, obviamente, com as estações: no auge do verão, ocorre por volta das 20:30-21:00, na primavera e no outono, acontece cerca de uma hora mais cedo. A dica prática mais importante é chegar ao Castelo de Agios Nikolaos — o ponto de vista por excelência, situado na extremidade ocidental da aldeia — pelo menos 90 minutos antes do pôr do sol. Em julho e agosto, os lugares ao longo do muro se esgotam com duas horas de antecedência. Quem chega tarde acaba três filas atrás, com a visão parcialmente obstruída.
Como chegar e como se locomover
Do aeroporto internacional de Santorini (Thira, código JTR), situado a cerca de 15 quilômetros de Oía, chega-se à vila de táxi em cerca de 25-30 minutos, com tarifas que variam entre 25 e 35 euros dependendo do horário. Como alternativa, os ônibus públicos KTEL conectam Fira a Oía com partidas frequentes durante a alta temporada, com um bilhete que em 2023 custava cerca de 1,80 euros. A estrada que atravessa a crista da ilha já oferece por si só vistas espetaculares da caldeira.
Dentro de Oía, a única maneira de se locomover é a pé: a rua principal é pedonal e as ruas laterais são frequentemente escadarias. Quem tem dificuldades motoras encontrará o percurso desafiador, com degraus irregulares e superfícies de pedra polida. Sandálias com sola antiderrapante são recomendadas, especialmente nas horas da noite, quando as pedras ficam escorregadias devido à umidade.
Além do pôr do sol: o que fazer durante o dia
Oía durante o dia é uma vila diferente, mais silenciosa e acessível. As horas da manhã, entre 8 e 10, permitem fotografar as cúpulas azuis sem multidões e percorrer o caminho que desce até o porto de Ammoudi, cerca de 200 degraus abaixo, onde estão algumas das melhores tavernas de peixe da ilha. O porto é pequeno, com poucas mesas diretamente na água, e serve polvos secos ao sol — uma cena que se repete inalterada há gerações.
O Museu Naval de Oía, hospedado em uma mansão do século XIX, conta a história marítima da ilha através de modelos de embarcações, instrumentos náuticos e documentos da época: um contexto útil para entender por que uma vila tão remota desenvolveu uma riqueza arquitetônica tão grande. A entrada custa poucos euros e requer cerca de 45 minutos de visita. É um dos poucos espaços cobertos da vila, valioso nas horas mais quentes da tarde.